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Joe Vasconcellos
Joe Vasconcellos
Joe Vasconcellos é o músico mais popular no Chile atualmente. Depois de uma vitoriosa excursão, este ano, por Buenos Aires, Bogotá e de apresentações em Santiago e províncias, sempre com casa cheia, Vasconcellos demonstrou novamente o poder de suas canções de conteúdo urbano, social e ecológico. Seu disco "Vivo" superou o ouro e tem entre seus seguidores o público infantil.
"Faço pequenas crônicas do mundo em que vivo. É o sentimento de um ser humano farto de muitas coisas que acontecem", afirma o artista em conversa exclusiva com o Terramérica, em Santiago do Chile.

1 Você é um artista urbano. Ama a cidade?

- Considero-me um rato urbano, acostumado a viver na cidade. Mas, pelo menos no inverno é preciso sair de Santiago. Tenho consciência de que os movimentos nas cidades podem afetar o meio ambiente.

2 Suas canções falam de "funar", um termo usado pela juventude chilena que significa perder credibilidade. Santiago do Chile se "funou"?

- É uma cidade que está a caminho de "funar-se". Não apenas Santiago, como todo o gênero humano. A Terra é sutil ao mostrar o quanto está ferida: desastres ecológicos, o clima se manifesta, e continuamos preocupados com o foguete que mata 350 pessoas em um segundo. Estamos recebendo a fatura pouco a pouco.

3 O plano de despoluição de Santiago é uma mentira do Estado?

- Ele é elaborado pelos que poluíram. Imagino o trabalho da Comissão Nacional do Meio Ambiente: faz estudos de impacto ambiental e chegam alguns tipos que dizem: "Se fizermos isso vamos brigar com os caminhoneiros ou com o dono da fábrica que te convidou para uma viagem a Cancún". Sabemos o que deve ser feito, mas também que há interesses.

4 O que tiraria ou acrescentaria a Santiago?

- Melhoraria a qualidade do combustível e entregaria a cidade aos seus habitantes. As pessoas devem expressar-se mais e aprender a estar no mesmo espaço que os demais. Mas, há um jogo de futebol e surge a violência; as pessoas se assustam e deixam seus espaços.

5 Quando canta você pede "chega de mentiras, mais atitude".

- Falo de mudança de atitude das pessoas. Se se educam, as pessoas sabem que dar carona ao vizinho no carro polui menos, mas dizemos: "se comprei um carro, tenho direito" e tanto faz se um menino de Pudahuel (uma das comunidades mais poluídas de Santiago) não pode respirar.

6 Quais são suas regras na cidade?

- Tento não ser cúmplice. Caminho, ando de bicicleta, de ônibus ou táxi. Separo o lixo de plástico, vidro, metal, orgânico, embora juntem tudo depois. Dou ao meu filho o amor que sinto pela natureza.

* Por Sandra Guijarro, jornalista e colaboradora do Terramérica.

 

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