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Santiago em busca do ar limpo |
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Por Gustavo González*
Um milhão e 600 mil automóveis particulares e de aluguel são responsáveis por 53% da poluição da capital chilena.
Santiago - Menos carros particulares e mais transporte público são o eixo da nova ofensiva pela despoluição de Santiago do Chile, capital de mais de cinco milhões de habitantes, que compete na América Latina com a Cidade do México e São Paulo quanto aos índices de degradação do ar. As regulamentações do Plano de Prevenção e Despoluição Atmosférica incluem vias segregadas, exclusivas e reversíveis para os ônibus, incorporação de novas tecnologias e extensão das restrições à circulação de veículos que utilizam gasolina sem chumbo.
Embora alguns setores as considerem arbitrárias, as medidas anunciadas em março pelo governo de Ricardo Lagos estão dando frutos, segundo as autoridades. Foram destinados vários eixos exclusivamente para o transporte público nos horários de maior circulação, e também foram criados corredores para os ônibus na Alameda Bernardo O’Higgins, a principal avenida de Santiago. Assim, reduziu-se em 20 minutos, em média, o tempo de viagem dos usuários de carro particular segundo o governo.
Desde a década de 80, Santiago do Chile cobriu sucessivas etapas na batalha contra os poluentes, que a população tende a considerar perdida a cada inverno, quando episódios críticos determinam o aumento das doenças respiratórias e tornam maior a corrida aos centros de saúde. Na última década acentuou-se a restrição à circulação de carros, retirou-se da frota ônibus e automóveis antigos e incorporou-se a gasolina sem chumbo. Assim, forçou-se a uma renovação do parque de automóveis, para ampliar o uso da gasolina sem chumbo, que polui apenas 20% em comparação com o combustível convencional, e foram ainda modificados os limites máximos para decretação de estados de alerta, pré-emergência e emergência ambiental.
Segundo um relatório do Greenpeace de 1992, a atmosfera de Santiago recebia 440.661 toneladas de poluentes por ano, o mesmo que se cada habitante da cidade fumasse sete cigarros por dia. Na medida em que foram eliminadas ou amainadas outras fontes de emissões poluentes e que o parque automobilístico continuou crescendo, chegou-se ao balanço atual: considera-se que 1,6 milhões de automóveis particulares e de aluguel são responsáveis por 53% da poluição de Santiago do Chile. Com base em uma consulta popular e voluntária feita em maio do ano passado, e após longa batalha legal que ainda não terminou, o governo decidiu estender a restrição de trânsito de veículos aos automóveis que usam gasolina sem chumbo. A medida, entretanto, limitou-se aos casos de estado de pré-emergência e emergência ambiental, deixando de fora o estado de alerta, mais freqüente e menos crítico.
No início de maio, 19 senadores direitistas apresentaram um recurso perante o Tribunal Constitucional para que anule essa decisão, qualificando-a de anticonstitucional, arbitrária, um atentado ao direito de propriedade e ineficaz. Para os grupos ambientalistas, por sua vez, o tratamento dado aos veículos com gasolina sem chumbo ainda é benévolo, porque são fonte de poluição tanto quanto os carros convencionais no tocante à poeira em suspensão, levantada nas ruas não asfaltadas, e poluem mais no tocante ao ozônio no nível do solo.
* O autor é correspondente da IPS
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