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Promessa de um verão sem apagões em Cuba |
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Por Patricia Grogg*
Ficaram para trás os cortes de eletricidade de até dez horas diárias que atormentaram a ilha, depois do fim da URSS.
HAVANA - O gasto de energia aumentará em Cuba no período de férias de julho e agosto, quando as temperaturas passam de 30 graus, mas as autoridades prometem um descanso, sem os apagões que até há pouco tempo atormentaram a vida de milhões de pessoas. Entretanto, cautelosos funcionários do governo insistiram que é necessário “o uso o mais racional possível” da eletricidade no verão (boreal), que coincide com os meses de férias escolares e de boa parte dos trabalhadores.
A programação de verão da televisão, que supõe aumento do horário coberto, começou no dia 2 de julho, e também haverá mais demanda de energia pelo uso de ar condicionado e ventiladores. Entretanto, porta-vozes do setor elétrico asseguraram que, apesar do maior consumo nos meses de verão, não são esperadas “variações significativas” na qualidade e estabilidade do Sistema Eletro-Energético Nacional. Roberto González, do Ministério da Indústria Básica, garantiu que nesta temporada a geração de eletricidade supera os 40 milhões de kilowatts/hora por dia. González disse que o verão exige aumento da importação de petróleo, cujos preços mantêm-se acima de US$ 25 o barril. No ano passado, Cuba gastou US$ 500 milhões adicionais com essas compras.
Os cortes de energia elétrica, que nos primeiros anos da década de 90 chegavam a durar mais de dez horas por dia, talvez tenham sido a pior conseqüência da crise econômica que atingiu a ilha depois do desaparecimento da União Soviética, em 1991. Até 1989, o último ano de normalidade econômica, a URSS forneceu a Cuba todo o petróleo necessário, que naquele ano foi de 13 milhões de toneladas. O déficit de hidrocarbonetos, a principal fonte energética da ilha, obrigou o governo a impor um estrito plano de racionamento, com apagões de quatro ou mais horas diárias, que persistiu até os últimos meses de 2000.
O paulatino processo de recuperação iniciado no final dos anos 90 elevou o consumo, em 1998, a 10.608 gigawatts/hora (um gigawatt equivale a um bilhão de watts). O consumo médio mensal por núcleo familiar, nesse mesmo ano, foi de 117,7 kilowatts/hora. Mesmo assim, desagradáveis cortes de eletricidade às vezes recordam tempos piores, embora porta-vozes oficiais atribuam tais interrupções a “quebras ou saídas imprevistas de unidades de geração”, mais do que à falta de combustível. No entanto, continua vigente um programa de economia de eletricidade em Cuba (Paec), que obriga a indústria a tomar medidas para reduzir o consumo e enfrentar etapas de maior demanda energética, como a temporada de verão. O Paec inclui a venda a preço subsidiado de lâmpadas de baixo consumo para uso doméstico e conserto de refrigeradores que, se funcionam em más condições, aumentam o gasto familiar.
* A autora é correspondente da IPS.
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