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Cruzada cidadã por um ar mais limpo |
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Por Gustavo González*
Um projeto da Cepal na Cidade do México, Santiago do Chile e São Paulo promove a ação do “terceiro setor” no combate à poluição.
SANTIAGO.- A poluição do ar ganha terreno nas cidades da América Latina e as medidas para combatê-la serão insuficientes se a gestão ambiental não for reforçada pela participação e consciência pública. Com esta premissa, a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) realiza desde 1999, com apoio do governo japonês, uma pesquisa centrada nas três regiões urbanas mais poluídas da região: Cidade do México, Santiago do Chile e São Paulo.
Esta pesquisa é um dos pilares do projeto “Fortalecimento da consciência cidadã na gestão da poluição atmosférica em metrópoles latino-americanas”, cujos resultados serão aplicáveis a outras cidades que enfrentam problemas de poluição cada vez mais graves, segundo a Cepal. “O cidadão crítico e consciente é aquele que compreende, se interessa, reclama e exige seus direitos ambientais e que, por sua vez, está disposto a exercer sua própria responsabilidade ambiental”, disse Daniel Blanchard, secretário da Cepal. Blanchard participou, no dia 20 de agosto, de um seminário internacional sobre o tema da pesquisa, dentro de um curso internacional realizado na Cepal durante o mês, com o apoio do Ministério das Relações Exteriores da Itália.
A poluição atmosférica afeta a saúde de mais de 80 milhões de latino-americanos e, portanto, é um problema crucial para toda a região e não só para as três cidades do projeto, afirma Hiroaki Tamura, primeiro-secretário da embaixada do Japão em Santiago. O projeto da Cepal busca “apoiar os governos metropolitanos na obtenção de maior eficiência no estabelecimento das políticas públicas relacionadas com a qualidade do ar”, explicou Daniela Simioni, oficial de Assuntos Ambientais da Divisão de Meio Ambiente e Assentamentos Humanos da Cepal. Também pretende-se “elaborar recomendações para as autoridades locais sobre o fortalecimento da consciência cidadã ambiental”, acrescentou a especialista.
Por sua vez, Blanchard diz que “ao reduzir a influência e o papel do Estado como mediador de interesses sociais entre distintos grupos e ao aumentar os problemas ambientais, os cidadãos de muitos países da região optaram por organizar-se e constituírem-se numa terceira força política, o “terceiro setor", acrescentou. Esta nova força “se sustenta em princípios de autonomia, autogestão e autodeterminação para promover uma gestão ambiental mais participativa e um desenvolvimento descentralizado”, acrescentou.
Assim, as organizações sociais superaram uma primeira fase em que seu trabalho se concentrava na denúncia de problemas ambientais locais, para adotar a elaboração de propostas. “A cultura ambiental com profundas bases cidadãs permite não apenas novos direitos humanos vinculados com o desenvolvimento sustentável, mas também um projeto de democracia social”, destaca Blanchard
* O autor é correspondente da IPS
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