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“A Mãe Terra é solteira” |
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Por Linda Dorow*
A Terra é um planeta e é uma mulher, e por isso sofre o “desprezo pelo feminino”, diz o cantor uruguaio Jorge Drexler. Sobre o futuro, disse ao Terramérica que “gostaria de crer que o meio ambiente será melhor do que agora”.
MONTEVIDÉU.- O músico uruguaio Jorge Drexler é conhecido pela ternura e simplicidade de suas músicas. Há sete anos emigrou para a Espanha pelas mãos de Joaquín Sabina. A qualidade de suas composições seduziu estrelas como Ana Belén, Víctor Manuel, Pablo Milanês e Miguel Ríos, que apostaram em interpretar muitas delas. Com seu último trabalho, Sea, obteve a primeira indicação para o Grammy Latino. Drexler conversou com o Terramérica em Montevidéu, sua cidade Natal, para onde sempre volta.
P.- Por que diz em uma de suas canções que a Mãe Terra é mãe solteira:?
R.- Vejo que o tratamento dado a uma mulher é o que é dado à Terra, e estão relacionados. São parte de um mesmo desprezo pelo feminino. É, sobretudo, uma canção de amor ao planeta e às mães. O fato de ter um filho torna uma mulher mais bonita aos meus olhos. As duas personagens, mulher e Terra, se misturam “pelo azul do céu, com seu vestido do azul do mar”. A Mãe Terra é um planeta e uma mulher.
P.- A natureza está muito presente em “Um país com o nome de um rio” (Uruguai), “um prado vazio... um éden esquecido... cheiro da terra molhada...” Que importância têm essas sensações para você, que vive na Espanha?
R.- Muita. São meu sinal de reconhecimento. São meu laço, minha ligação com o que sou.
P.- Madri não se parece com o Rio da Prata de Montevidéu. Como faz para respirar o ar fresco e descansar a vista?
R.- Sinto falta do mar, mas também me agrada o local onde vivo, fora de Madri. Estou aprendendo a descobrir a serra, porque venho de “um prado”, como diz a canção, um lugar plano. Agora, vivo em El Escorial, que fica nas montanhas, onde há neve.
P.- O tema “O pianista do gueto de Varsóvia” faz referência aos vínculos entre as gerações (“tenho tuas mãos/a mesma história”) a respeito do Holocausto. A qual geração de seus netos caberá viver outra tragédia?
R.- É a pergunta que me faço. Penso no que coube ao meu pai viver, ele que nasceu em Berlim e veio para o Uruguai com quatro anos de idade, e a mim, que entrei na ditadura (militar) com nove anos. O que caberá viver ao meu filho e aos seus filhos é um mistério. Gostaria de crer que o meio ambiente será melhor do que atualmente, já bastante arruinado. Espero que possamos reverter a situação. Mas tampouco creio que sejamos tão inteligentes para fazermos isso a tempo.
P.- Soa pessimista. Mas há mais otimismo em suas canções, não?
R.- Talvez minha música seja mais otimista do que eu. Tenho alegria de viver, mas sou consciente de que o mundo é muito duro para a maioria das pessoas, para as plantas e animais que nele vivem. Esta é a única vida que tenho e vou fazer com que nada me impeça de desfrutá-la. E se conseguir não piorar as coisas, já será algo.
Para saber mais sobre Jorge Drexler, entre no site www.jorgedrexler.net
* A autora é correspondente da IPS.
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