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Artigo


Viagem ao lar da baleia austral

Por Gustavo González / Enviado especial*

O Terramérica aventurou-se ao mar e visitou esta espécie ameaçada na península argentina de Valdés, onde chega todo mês de setembro para dar à luz.

PENÍNSULA VALDÉS, ARGENTINA.- O catamarã navega pelas águas do Golfo Nuevo agitadas pelo vento, tendo a bordo 42 maravilhados viajantes procedentes do Chile que chegam ao Oceano Atlântico Sul para observar em seu hábitat a baleia franca austral. Vários cetáceos mostram seus brilhantes dorsos escuros e suas cabeças com as calosidades características, respiram lançando ao ar jorros de água que molham os tripulantes, e submergem mostrando suas belas caudas. Um filhote afasta-se de tempos em tempos de sua mãe e faz evoluções em volta da embarcação girando sobre si mesmo na água.

“Isto não é um show como o dos golfinhos cativos em Miami. Viemos conhecer um animal em seu hábitat, onde ocorrem os acasalamentos, a gestação e o nascimento da espécie”, disse ao Terramérica Diego Taboada, do Instituto de Conservação das Baleias. “Ocorre uma interação lúdica em que não se sabe quem está observando quem, se os humanos às baleias ou estas aos humanos”, acrescentou Taboada, empresário argentino que há 13 anos foi pela primeira vez à península Valdés como turista, e decidiu dedicar-se à proteção desses animais.

As baleias francas não chegam hoje a oito mil exemplares em todo o mundo, três mil deles da espécie austral (Eubalena australis), que a cada ano se deslocam entre três e cinco mil quilômetros pelo Atlântico Sul, entre o Brasil e a Antártida. Na península Valdés, na província argentina de Chubut, cerca de 1200 exemplares se concentram nos meses de setembro no Golfo Nuevo, ao sul da península, para os acasalamentos ou nascimento, após 12 meses de gestação.

Os viajantes - incluídos Daniela e Gabriel Carvalho, de 11 e 8 anos - percorreram cinco mil quilômetros em ônibus entre Santiago e Valdés, ida e volta, durante cinco dias. Dentro de um programa do Instituto de Conservação das Baleias, que permite apadrinhar um exemplar para receber informação periódica sobre ele, os visitantes “adotaram” Gabriela (em homenagem à ganhadora do Nobel de literatura Gabriela Mistral), Troff, Antonia e sua cria Docksider.

A baleia austral foi durante dois séculos um dos cetáceos mais perseguidos pela voracidade humana. Estima-se que nesse período foram caçados mais de 90 mil animais. A partir de 1935, recebeu proteção internacional parcial, até que em 1986 a Comissão Baleeira Internacional (CBI), criada em 1949, estabeleceu a proibição de sua caça. “Eram as mais caçadas por causa da quantidade de gordura que possuem e também porque, ao contrário de outras espécies, flutuam ao morrer”, disse Taboada, que trabalha na estação de pesquisas que o Instituto possui no Golfo San José, ao norte da península. Também são as maiores: com cerca de 16 metros de comprimento, as fêmeas pesam entre 30 e 32 toneladas e os machos entre 25 e 30 toneladas. Podem viver 80 anos. Por pertencerem à subordem dos mysticetos, possuem barbas em lugar de dentes e alimentam-se de algas e krill, o microscópico crustáceo antártico.

Em 1970, o cientista norte-americano Roger Payne, fundador e diretor do Instituto de Conservação das Baleias, chegou à península Valdés preocupado pelo virtual extermínio da espécie. Graças às suas pesquisas, conseguiu estabelecer no ano seguinte que as calosidades na cabeça são únicas em cada animal. Payne criou, dessa maneira, um sistema para identificar cada animal através do padrão ou diagrama de suas calosidades, com base em fotos feitas de avião, a cerca de 70 metros de altura. Isto permite batizar cada animal e acompanhá-lo para fins de estudo e preservação. Atualmente há 1300 exemplares identificados com este método, disse Taboada.

Em 1975, tiveram início as viagens de observação, uma forma de turismo que cresceu de forma exponencial, beneficiando Puerto Pirámides, povoado de 300 habitantes no Golfo Nuevo, onde seis empresas de embarcações atendem a demanda dos visitantes. A observação é feita durante uma viagem de 90 minutos e seu preço varia de US$ 12 a US$ 17.

“Graças ao ecoturismo aprendeu-se que uma baleia é mais valiosa viva do que morta”, afirmou Sofia Benegas, guia do catamarã onde embarcou a expedição chilena. Esta viagem é útil para conscientizar. “Muitos chilenos não têm idéia de que somos um corredor biológico de muitos cetáceos. O fato de não existir um parque nacional marinho nos mostra a pouca cultura que existe a respeito, disse um dos viajantes, Rodrigo Mellado, diretor do programa de sócios do Comitê Nacional Pró-Defesa da Flora e da Fauna (Codeff), a organização ecologista mais antiga do Chile. Em sua opinião, Chile e Argentina deveriam criar um cordão para pesquisa e conservação das baleias no Santuário Baleeiro Austral (uma área circumpolar que compreende as águas até 40 graus de latitude sul) estabelecido em 1994 pela CBI.

Mas a baleia franca austral ainda tem inimigos. O Japão conseguiu bloquear a criação de santuários baleeiros no Atlântico e no Pacífico - alertou Mellado - e tentará retirar a proibição de caça na reunião da Convenção das Nações Unidas para o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Flora e da Fauna, que se realizará em novembro no Chile, e na conferência da CBI, no próximo ano, na Alemanha.

* O autor é correspondente da IPS.


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Enlaces Externos

Instituto de Conservação das Baleias

Comissão Baleeira Internacional

Cites: Reunião no Chile

Greenpeace: Salvem o santuário baleeiro austral

Na península Valdés.com

Baleia franca austral

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