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Uma cruzada em favor de baleias e elefantes |
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Por Alicia Sanchez*
A Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (Cites) é um tratado ambiental de êxtio, disse ao Terramérica a diretora para a América Latina do IFAW.
SANTIAGO.- Cerca de dois mil delegados de 160 países debatem em Santiago do Chile o destino de diversas espécies ameaçadas, entre elas duas das mais cobiçadas pelos caçadores ilegais: os elefantes e as baleias. Propostas para reabrir o comércio destas espécies serão definidas na próxima semana, durante a XII Conferência das Partes da Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (Cites), que acontece na capital chilena até o dia 15 de novembro.
O Fundo Internacional para o Bem-Estar dos Animais (IFAW), que organiza uma cruzada mundial em favor das espécies em perigo e assiste como observador a Conferência, está empenhado em evitar. O Terramérica conversou com Beatriz Bugeda, especialista em direito internacional e diretora para a América Latina do IFAW.
–O Japão tenta novamente nesta Conferência reabrir o comércio de
baleias. Terá êxito desta vez?
–De fato, o Japão tem feito tentativas de reabrir o comércio de baleias desde 1986, quando a Comissão Baleeira Internacional (CBI) colocou em prática uma moratória para impedi-lo. Mas a iniciativa japonesa não vai prosperar porque a CBI ainda não se decidiu a respeito. Enquanto isso não acontece, não creio que na Cites se decida pela autorização da reabertura.
–O Japão, como principal importador de marfim, também está
por trás da proposta de reiniciar o comércio de elefantes.
–Isso mesmo. O Japão é um dos principais consumidores de muitos dos produtos de espécies ameaçadas ou em risco de extinção. Cinco países do sul da África (Botsuana, Namíbia, África do Sul, Zâmbia e Zimbábue) propõem a reabertura do comércio de marfim. Se prosperar, esta iniciativa vai gerar uma enorme caçada, será devastadora para a população de elefantes. Índia e Quênia apresentaram uma proposta no sentido contrário, isto é, proibir totalmente o comércio, colocando todas as espécies de elefantes no Apêndice I da Cites.
–Os países africanos dizem ter chegado a um consenso sobre
a reabertura, numa reunião prévia à Conferência.
–Isso se diz, mas não podemos falar de consenso quando o Quênia se colocou contra. Muitos dos países da área de presença do elefante não estiveram presentes nesse encontro (apenas 22 de 37) e a Índia não foi autorizada a entrar como observadora, apesar de possuir elefantes.
–Como está o equilíbrio de forças em torno da proposta?
–A maior parte dos países estaria contra o reinício do comércio, mas esperando com expectativa os argumentos que serão apresentados. Esperamos que a União Européia, cujos 15 membros devem votar em bloco, a rechacem. Alemanha e França já anunciaram que se oporiam à reabertura, mas a Inglaterra ainda não se definiu.
–O destino dos tubarões também está em discussão. O que
se espera da Cites?
–Esperamos que prospere a iniciativa de colocar os tubarões baleia e peregrino no Apêndice II da Cites, para estabelecer um plano de manejo de sua pesca. É alarmante a situação dos tubarões: mais de cem milhões de exemplares são pescados anualmente e não existe um sistema internacional que propicie dados sobre qual é a ameaça que o comércio representa para esta espécie.
–A Cites tem sido efetiva desde sua criação?
–Sem dúvida é a Convenção que tem mais êxito em matéria de proteção do meio ambiente e de espécies ameaçadas, porque há controle e aplicação da lei. Realmente, tem o que os advogados chamam de “dentes”.
Para saber mais sobre as campanhas do IFAW entre no site www.ifaw.org
* A autora é jornalista e colaboradora da IPS.
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