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Noites luminosas em Los Tumbos |
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Por Patrícia Grogg *
O Terramérica visita uma remota comunidade montanhosa na ocidental província cubana de Pinar del Rio, cuja vida mudou para sempre graças à energia solar.
PINAR DEL RIO, CUBA.- As famílias da comunidade cubana de Los Tumbos mudaram o candeeiro por uma limpa e luminosa lamparina, meninas e meninos aprendem mais e melhor, os homens assistem beisebol pela televisão e ouvem música pelo rádio. Para todos a vida em Los Tumbos está incomparavelmente melhor do que há três anos, quando a falta de eletricidade obrigava os habitantes a dormirem cedo. “Imagine, antes não havia outro remédio a não ser deitar às nove horas da noite”, conta ao Terramérica Marisol Chile, de 31 anos, ao comentar sobre a mudança sofrida por sua aldeia de pouco mais de cem habitantes com a eletrificação solar fotovoltáica. Para chegar a essa pequena comunidade plantadora de café das montanhas da província de Pinar del Rio, cerca de 140 quilômetros a oeste de Havana, é preciso subir e descer muitas colinas.
O Sol que banha seus verdes terrenos indica que essa fonte de energia renovável é a solução ideal para o povoado, muito distante da rede elétrica do país. A primeira beneficiada com um painel fotovoltáico (que transforma a energia solar em eletricidade) foi a escola primária, que assim pôde iluminar a sala de aula e ligar um aparelho de televisão, um vídeo e um computador, cujo uso ampliou horizontes dos alunos. Em seguida foi a vez do consultório médico, onde a instalação solar alimenta, além de um televisor e um vídeo, um refrigerador, um aparelho de radiocomunicação e 12 lâmpadas, suficientes para iluminar as casas do médico e da enfermeira. Os moradores esperam para breve um computador que vai complementar o equipamento usado nos cuidados primários de saúde, que agora também dispõe de instrumentos que antes não podiam ser usados por falta de eletricidade.
Em cada uma das 23 casas da aldeia foi instalado um painel solar de 12 volts, ligado a uma pequena bomba de baixo consumo e uma bateria suficiente para cinco horas. Um pequeno rádio completa o módulo, entregue gratuitamente às famílias. O painel é formado por módulos fotovoltáicos interconectados que absorvem calor e luz solar e convertem em energia. A interligação permite aumentar a corrente elétrica e manter a voltagem constante. O custo de levar eletricidade a cada casa gira em torno dos US$ 1,8 mil, incluindo o painel fotovoltáico, seis lâmpadas, aparelhos de TV e rádio. O programa é executado pela divisão Ecosol Solar, da estatal Copextel, que cuida da manutenção e reposição de peças.
“Antes, era à vela e candeeiro. Veja a beleza que ilumina esta lâmpada”, conta, entre risos, Alfreda Bocourt (de 54, mãe de seis filhos) encarregada da limpeza do consultório médico. Para ver televisão, ela e seus vizinhos atravessam a rua até a sala comunitária - onde também há um vídeo de uso coletivo - com capacidade para 30 pessoas sentadas. O progresso se traduz em maior comunicação entre os moradores, que estão melhor informados, têm mais assuntos para conversar e maior preocupação pela comunidade. “A gente se sente mais motivada para trabalhar, mais unida. Antes quase não vinham aqui, e agora vêm todos os dias. Há uma mudança muito favorável”, afirma a professora Niuri Pérez. Ela assegura ter visto importantes progressos no rendimento escolar das crianças e em sua expressão oral e escrita. “Os meios audiovisuais ajudam muito”, afirma.
As zonas montanhosas cubanas incluem 19 mil quilômetros quadrados e estão povoadas por cerca de 800 mil pessoas, quase todas em áreas de difícil acesso. Para esta população são necessárias soluções alternativas, como pequenas centrais hidrelétricas. A rede nacional cobre 95% da população cubana de 11,2 milhões de pessoas. Para o restante, o uso de diferentes fontes de energia renovável é uma ótima solução. Nos últimos três anos, mais de 2,3 mil escolas primárias de zonas rurais e montanhosas foram eletrificadas com energia solar. Puderam, assim, contar com televisão, vídeo e computador para melhorar a qualidade do ensino. Também foram eletrificadas 400 instalações sanitárias rurais, mais de cem centros sociais, que dispõem de equipamentos de áudio e TV, além de 1,8 mil salas comunitárias de televisão.
Os painéis fotovoltáicos produzidos em Cuba com componentes importados da Espanha ou Alemanha são a melhor solução para áreas afastadas ou com moradias dispersas, segundo especialistas. Cerca de cem mil casas sem serviço de energia elétrica poderiam ser beneficiadas com a energia solar. A não-governamental Cubasolar, que participa da instalação de sistemas fotovoltáicos e de energia, tem planos para suprir essa carência, na medida em que o financiamento permitir.
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