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Por que aumenta o buraco de ozônio? |
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Por Stephen Lehay*
O buraco sobre territórios austrais chileno e argentino alcançará sua maior extensão em meados de setembro. Cientistas ouvidos pelo Terramérica analisam as possíveis causas deste fenômeno.
TORONTO.- A camada de ozônio estratosférica apresenta um enorme buraco sobre a Antártida pelo segundo ano consecutivo, expondo os territórios austrais da Argentina e do Chile a altas doses de radiação solar ultravioleta. O “buraco”, ou estreitamento da camada de ozônio, tem extensão de 25 milhões de quilômetros quadrados e continua aumentando, segundo informação obtida por satélite da Agência Espacial Européia. Pode ser o maior da história. Estes dados parecem contradizer as últimas informações de que a concentração atmosférica de clorofluorcarbonos (CFC), gases que esgotam o ozônio, começou a declinar. De fato, estas substâncias permanecerão na atmosfera por muitas décadas.
Por outro lado, o aumento de outras substâncias esgotadoras do ozônio, como o agroquímico brometo de metilo, e o uso ilegal de CFC indicam que a luta para restaurar a camada protetora de ozônio está longe de terminar. “Podem aparecer novos buracos nos próximos 30 ou 40 anos”, disse ao Terramérica o meteorologista Craig Long, do Centro de Previsão do Clima de Maryland, da Administração Nacional Oceanográfica e Atmosférica dos Estados Unidos. “O buraco deste ano sobre a Antártida atingirá sua extensão máxima em meados de setembro”, previu Long. A data coincide com o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozônio, celebrado em 16 de setembro por iniciativa da Organização das Nações Unidas.
“Graças ao Protocolo de Montreal sobre Substâncias Esgotadoras da Camada de Ozônio, o risco das radiações prejudiciais parece estar cedendo”, disse o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. O Protocolo, adotado em 1987, obriga 184 nações que o assinaram a eliminar o uso de CFC e de quase cem substâncias químicas que afetam a camada de ozônio, localizada a uma altitude de 15 a 30 quilômetros da superfície terrestre e cuja função é filtrar os raios ultravioletas que prejudicam a saúde. O enfraquecimento dessa camada, pelas emissões humanas de gases nas últimas décadas, aumentou as radiações ultravioletas em todo o mundo, provocando mais casos de câncer de pele, doenças da vista e outros problemas de saúde em humanos e outras espécies animais e vegetais.
De acordo com um estudo do Centro para a Integração da Estatística e da Ciência Ambiental da Universidade de Chicago, a redução global dos níveis de ozônio se atenuou entre 1996 e 2002. Embora seja uma boa notícia, os cientistas são cautelosos. “Algumas substâncias permanecem na atmosfera por muitas décadas, e continuam sendo perigosas”, disse o cientista Sherwood Rowland, em um comunicado. Rowland e seus colegas Mario Molina e Paul Crutzen ganharam, em 1995, o Prêmio Nobel de Química por sua contribuição na identificação dos perigos para a camada de ozônio nos anos 70.
O Protocolo de Montreal permite o uso de substâncias que esgotam o ozônio em situações críticas. Por exemplo, as nações industrializadas deveriam ter eliminado o brometo de metilo no dia 1º de janeiro deste ano. Porém, os horticultores e fruticultores norte-americanos usaram, em 2005, cerca de 20 milhões de quilos deste pesticida, mais do que o aplicado em 2002. Os Estados Unidos convenceram os países que integram o Protocolo que lhes seja permitido utilizar 8,5 milhões de quilos de brometo de metilo em 2006, mais do que usará o resto do mundo rico. Entretanto, existem alternativas a este produto, econômicas e fáceis de usar. Os substitutos dos CFC são amplamente utilizados em todo o mundo, mas seu maior custo deu lugar a um mercado negro em setores como radiadores de automóveis, extintores de incêndio e solventes industriais.
Milhões de libras de CFC entraram contrabandeadas nos Estados Unidos. E, embora aí esteja diminuindo, há um problema emergente na Ásia, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). Nessa região existem muitos equipamentos baseados em CFC, apesar dos compromissos assumidos pelas nações asiáticas. Sob o Protocolo de Montreal, os países em desenvolvimento concordaram em reduzir em 50% o consumo de CFC até janeiro de 2005 e eliminá-lo em janeiro de 2010. Isto levou a um aumento do contrabando, afirmou um documento do Pnuma divulgado em janeiro.
As condições climáticas também podem exacerbar o desaparecimento do ozônio sobre as regiões polares. A zona do Ártico apresenta poucos e menores buracos do que a Antártida, mas no último inverno do hemisfério norte sofreu sua maior perda devido ao frio extremo. Alguns especialistas culpam a mudança climática. À medida que o clima da terra vai aquecendo, a atmosfera superior se torna mais fria nas zonas polares, criando as condições ideais para que substâncias como os CFC e o brometo de metilo destruam o ozônio. Embora se saiba mais sobre o impacto da mudança climática no pólo norte, o mesmo processo poderia estar ocorrendo na Antártida, disse ao Terramérica Claus Zehner, da Agência Espacial Européia na Itália.
Definitivamente, o clima local e o grau de respeito ao Protocolo de Montreal determinarão a existência, ou não, de buracos na camada de ozônio na segunda metade do século XXI, disse Zehner. O certo é que nesta primavera do hemisfério sul, os habitantes do Chile, da Argentina e, possivelmente da Nova Zelândia e Austrália, necessitarão se proteger mais do que nunca das radiações solares.
* O autor é correspondente da IPS.
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