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Novo satélite para medir degelo polar

Por Julio Godoy*

A Agência Espacial Européia pretende lançar o satélite CryoSat II no prazo de três anos, depois do fracasso da primeira missão, em outubro.

PARIS.- O fracassado lançamento do satélite europeu CryoSat, no dia 8 de outubro, é uma perda incalculável para os estudos da mudança climática, que requerem informação urgente sobre o degelo polar provocado pelo aquecimento da atmosfera terrestre, segundo vários cientistas. “A pesquisa meteorológica necessita de dados precisos, obtidos por um longo período sobre a condição do gelo nos pólos, e a missão do CryoSat era exatamente estudar as mudanças de volume das massas glaciais no Oceano Ártico”, disse ao Terramérica Erich Roechner, diretor científico do Departamento de Modelos Climáticos do Instituto Max Planck de Meteorologia, com sede em Hamburgo, na Alemanha.

“O que a comunidade científica pôde fazer até hoje foi apenas estudar a superfície do gelo nos pólos. Não dispomos de informação suficiente sobre sua mudança de volume”, disse Roeckner em entrevista ao Terramérica. Essa seria a tarefa do CryoSat, o satélite da Agência Espacial Européia (ESA) que foi lançado no dia 8 de outubro, da base russa de Plesetsk, 800 quilômetros a noroeste de Moscou. Contudo, uma falha na seqüência de lançamento literalmente jogou por terra os esforços de seis anos da agência.

Franco Bonafina, porta-voz da ESA, explicou ao Terramérica que “a segunda fase (do lançamento) transcorreu normalmente até o momento em que o motor principal desligaria. Porém, uma falha em um comando do sistema de bordo de controle de vôo fez com que o motor continuasse funcionando, até esgotar o combustível”. Assim, a separação entre a segunda e terceira etapas, que deveria ter colocado o CryoSat na órbita polar, não ocorreu, e o satélite caiu perto da Groenlândia. Bonafina garantiu que a ESA continuará o programa CryoSat. “Em dezembro, solicitaremos dos Estados europeus um novo aporte financeiro para manter o programa e lançar um CryoSat II no prazo de três anos”, afirmou.

A ESA necessita de um orçamento especial para esta segunda missão, no valor de 70 ou 80 milhões de euros (entre US$ 85 milhões e US$ 100 milhões), disse Bonafina. “Esse foi o custo de construção do CryoSat I”, e o programa completo chegou a 136 milhões de euros, acrescentou. Todos os testes realizados desde 1999 tiveram êxito, por isso uma segunda missão se beneficiaria dos conhecimentos acumulados nestes seis anos, disse Bonafina. O satélite perdido dispunha de duas antenas de radar para medir durante três anos a superfície exata das massas glaciais do Pólo Norte, além de calcular com extrema precisão seu volume, para determinar o tipo de mudanças que sofrem: se derretem e a que ritmo.

Com esta informação, o CryoSat teria contribuído para explicar a relação entre o derretimento dos pólos e o aumento do nível do mar. Jens Hesselbjerg Christensen, do Instituto de Meteorologia da Dinamarca, disse ao Terramérica que “o estudo do degelo no Oceano Ártico é um ponto especialmente crítico na pesquisa sobre a mudança climática”. Por essa razão a comunidade científica esperava os restulados da missão CryoSat com grande expectativa, acrescentou Christensen. O cientista dinamarquês recordou que em 2004 seu Instituto participou da elaboração do relatório “Impactos do Aquecimento do Ártico”, divulgado pelo Comitê Científico Internacional sobre o Ártico, uma instituição não-governamental dedicada a investigar o Pólo Norte.

Segundo o relatório, o aquecimento global da atmosfera terrestre, causado pelo acúmulo de gases que causam o efeito estufa, afetará especialmente as regiões do planeta situadas no Hemisfério Norte, e os efeitos serão mais dramáticos nas regiões localizadas mais próximas do Oceano Ártico. Uma das conclusões do estudo é que a temperatura média aumentará pelo menos sete graus no extremo mais boreal da Groenlândia, enquanto seria de três graus na Dinamarca. Segundo Christensen, a informação do satélite seria útil para verificar a exatidão e a probabilidade de tais previsões científicas. “Dispor de dados de grande qualidade, como os que seriam fornecidos pelo CryoSat, seria muito valioso, sobretudo durante um longo período, para provar nossas previsões”.

Para Roeckner, do Instituto Max Planck, a próxima missão CryoSat deveria durar mais de três anos. “As massas de gelo nos pólos se mantêm estáveis durante longos períodos, e as mudanças ocorrem subitamente”, explicou. “Por isso é necessário medir o volume do gelo durante um tempo relativamente longo, em todo caso maior do que três anos, para determinar se as geleiras sofrem mudanças e em que ritmo”. Alguns dos supostos efeitos do aquecimento do planeta já são perceptíveis, acrescentou. Em um estudo do Instituto Max Planck, que será colocado à disposição do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC), Roeckner e seus colegas constatam que o aumento médio do nível do mar nos últimos 20 anos duplica o valor médio registrado durante todo o século XX.

“Este é um dado definitivo, tremendamente dramático, e não uma extrapolação”, disse Roeckner. Este estudo prevê uma elevação do nível do mar em até 43 centímetros, longos períodos de seca, seguidos de chuvas torrenciais e inundações, e um constante aumento da temperatura média da Terra, que pode chegar a 10 graus no Ártico. “Se as tendências climáticas observadas hoje se mantiverem, até o ano 2010 o Pólo Norte não terá gelo durante o verão”, disse Roeckner.


* O autor é correspondente da IPS.



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Links Externos

Instituto Max Planck de Meteorologia

Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre a Mudança Climática (IPCC)

Agência Espacial Européia

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